BOLINHA DE FELTRO

Blog dedicado ao futebol de mesa do Centro-Oeste

18.2.08

ENTREVISTA COM ADOLPHO PARENTE (1ª parte)

 

O entrevistado da segunda quinzena de fevereiro é o Adolpho Parente, técnico do Cavalo de Tróia, uma das maiores revelações do futebol de mesa brasiliense nos últimos anos (por problemas técnicos do blog - o texto longo demais excede a cota - estamos postando em duas partes).

BOLINHA DE FELTRO: Fale um pouco de você, onde e quando nasceu… onde e quando iniciou no futebol de mesa. Como aconteceu seu início na modalidade de três toques? Teve passagens por outras agremiações? Onde joga atualmente?

ADOLPHO: Meu nome é Adolpho de Thuin Parente, nasci em Brasília – DF, em 13 de agosto de 1981. Quando pequeno assistia muito meu pai (Márcio Garcia Parente) jogando futebol de mesa com alguns familiares e até tentava jogar também. Meu pai se mudou para Goiânia e fiquei muitos anos sem ter contato com o futebol de mesa. Quando isto voltou a acontecer, comecei a jogar no “leva-leva”, com os amigos de quadra. Os botões eram de galalite e a bola uma peça do jogo War. Mudei de quadra, muitos anos se passaram, quando, num belo dia (véspera do Dia dos Pais) fui a Só Tricolor comprar um presente para o meu pai, que é Fluminense doente e me deparei com times de futebol de botão da regra 3 toques para venda. Me interessei e fui informado que o pessoal se reunia na AABB, clube que eu era sócio. De imediato me dirigi ao referido clube onde encontrei Sergio Motta, Domingos e mais alguém que não me recordo agora. Isto se deu em agosto de 2005 e desde então tenho freqüentado assiduamente este grupo maravilhoso.

BOLINHA DE FELTRO: O que o levou a optar pelo futebol de mesa como seu hobby ou mesmo modalidade esportiva?

ADOLPHO: O que me levou a optar pelo futebol de mesa inicialmente como hobby foi a paixão de criança pelos craques imaginários. Lembro-me até hoje do meu atacante “Black Power”, do meu time de criança, e quantas alegrias ele me dava; ver Romário e Pelé jogando juntos, Cruyff e Beckenbauer no mesmo time e até os quatro juntos são coisas que fomentam a minha imaginação e a paixão pelo esporte. Nos dias de hoje, depois de vários problemas em meu joelho por conta do futebol, me aposentei dos campos e passei para as mesas, onde posso continuar marcando meus gols. Desta forma hoje o futebol de mesa para mim é sem dúvida uma modalidade esportiva.

BOLINHA DE FELTRO: Quais os tipos de regras que você já praticou, antes de conhecer a regra de três toques?

ADOLPHO: Antes de conhecer realmente a regra 3 toques, só tinha jogado “leva-leva”, quando criança, nos famosos Estrelões.

BOLINHA DE FELTRO: Quais as maiores qualidades da regra de três toques? E os defeitos?

ADOLPHO: Na regra 3 toques, jogador só com habilidade não vai muito longe. É uma regra que exige muito do raciocínio, o que a difere das demais. Para mim esta é a maior qualidade, combinar habilidade e raciocínio de forma que um sem o outro não resultam em bons resultados.
Os defeitos da regra são a sua complexidade, a má redação do texto e principalmente suas exceções. Existem pontos da regra 3 toques que depois de vinte anos de sua criação ainda são polêmicos, se baseando mais em costumes do que na literalidade do texto.

BOLINHA DE FELTRO: Como vê o atual momento do futebol de mesa brasiliense e quais suas sugestões ou expectativas em relação ao esporte como um todo?

ADOLPHO: Brasília hoje vive um excelente momento, os torneios aqui organizados cada dia contam com mais participantes. Hoje é a cidade que mais capta iniciantes em todo o Brasil, o que permite que o movimento se fortifique e os torneios fiquem cada vez melhores. Além disso, Brasília possui a grande qualidade de unir a experiência e técnica dos mais antigos com a gana e vontade dos mais novos, o que nos permite estar melhorando a cada dia.
Minha expectativa é que o movimento se fortaleça cada vez mais, para que eu possa, assim como os mais antigos, desfrutar desse esporte enquanto o meu corpo agüentar. Como sugestão vai a mudança na regra de dois para três o tempo todo.

BOLINHA DE FELTRO: Quais os botonistas que, ao longo de sua carreira: mais o incentivaram? Mais o influenciaram? Mais o impressionaram? Mais o decepcionaram?

ADOLPHO: Esta pergunta para mim é a mais difícil, pois sou um felizardo em possuir vários professores e mestres.
O meu maior incentivador, sem dúvida nenhuma, foi o Sérgio Motta, com a sua “fominhagem”.
Os que mais me influenciaram foram: Paulo Caruso e Paulo César abrindo a minha cabeça para uma visão do esporte a nível nacional.
Acho que por ser novo no esporte muita coisa me impressiona, seja pela armação de jogadas, seja pela defesa ou pelo chute a gol, mas tentarei descrever os que mais me marcaram. Paulo Caruso (Carusão), me impressiona até hoje pelo fato de quase não poder jogar e, quando joga, ser extraordinariamente competitivo. Seu raciocínio de jogo é impecável e seu chute de longa distância impressionante. Tarcízio Dinoá Junior, principalmente pela sua defesa, que é a melhor que já vi até hoje. Thiago Stephan, de Juiz de Fora, pela beleza de seu jogo e criatividade nas jogadas.
José Ricardo Almeida, pela frieza e confiança que possui.
Quanto aos que mais me decepcionaram é difícil de falar, mas acredito que a maior decepção que tive foi o abandono das mesas pelo amigo e rival Léo Penna.

criado por josericardo.almeida    23:12 — Arquivado em: Sem categoria

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